Show - Iron Maiden - Belo Horizonte

Por Rodrigo Gomes | Publicado em 23/03/2009

Finalmente a maior banda da historia do heavy metal pisou em terras mineiras para um show histórico no Mineirinho, na parte final da turnê Somewhere Back In Time. Tudo bem que o Iron Maiden, ao passar de novo pelo Brasil na mesma turnê, dá ares que começa a querer desafiar o Deep Purple - que já conta incríveis três passagens por nosso país na turnê do disco “Raptures Of The Deep” - e caminha pra ser uma banda “de casa” (e aí a pergunta: que mal há nisso?), mas como essa passagem serviu para finalmente aportarem em Belo Horizonte, não há mesmo do que reclamar. Bem, se bem que motivos para reclamações não faltaram: o fato do show ser realizado no sempre contestado Mineirinho, preços salgados dos ingressos, etc...



Mas sinceramente, pra ver Iron Maiden em nossa cidade, todo e qualquer obstáculo não deveria ser motivo pra ficar em casa. E assim, 11 mil pessoas - segundo a produção do evento - lotaram o Mineirinho para a apresentação dos ingleses. Espera aí, desde quando 11 mil pessoas são suficientes pra lotar o Mineirinho? Queria ter essa resposta também, porque, no espaço destinado ao publico, não cabia quase mais ninguém no ginásio. Eu mesmo, que fiquei na arquibancada, tive que ficar literalmente espremido, sem ter como me mexer, sentar-me, nada... e aí divulgam que o publico foi 11 mil pessoas? Tudo bem que a dimensão do palco fez com que boa parte do Mineirinho fosse inutilizada, mas se a carga de ingressos foi de 20 mil, fica a pergunta: onde então caberiam as 9 mil pessoas que “faltaram”?

Indo à parte que realmente interessa, essa turnê do Iron Maiden é provavelmente a turnê com o melhor set list da historia da banda, daí o porquê de ser um sucesso absoluto e estar durando tanto tempo. Sem contar a produção de palco, que é excelente, apesar que no Mineirinho, por ser um lugar fechado, algumas coisas tiveram que ser, para se usar um termo politicamente correto, “adaptadas” quando em comparação com shows em lugares abertos. Após a abertura da Lauren Harris - e aqui o sobrenome foi de vital importância para a guria e sua banda ter a chance de abrir a turnê de uma banda do porte do Iron Maiden, mesmo porque o estilo adotado pela Lauren nem é tão heavy metal assim, pendendo muito mais para o hard rock - pontualmente às 21 horas começa o maior espetáculo da Terra: o show do Iron Maiden. E o inicio não poderia ser melhor, com a trinca “Aces High”, “Wrathchild” e “Two Minutes To Midnight”, que contaram com a esperada recepção calorosa e entusiasmada do publico. Em seguida, foram tocadas em sequência as maiores surpresas do set list dessa parte final da turnê: “Children Of The Damned” e “Phantom Of The Opera”. “The Trooper” foi a próxima, e lá estava o Bruce Dickinson com sua tradicional indumentária quando chega a hora desse clássico, agitando a bandeira britânica. “Wasted Years”, uma das melhores músicas da carreira da Donzela, foi a próxima. Terminada essa música, uma faixa é jogada ao vocalista Bruce Dickinson, e aparentemente pedia para que a banda tocasse “Alexander The Great”, que não estava no programa. Pra fazer uma média, o vocalista pediu um instante, pegou o que parecia ser um apito, e levou um trecho da referida música, logo encerrada pois era hora da dobradinha final do disco do Powerslave, só que tocadas na ordem invertida do disco. Então, dá-lhe “Rime Of An Ancient Mariner” e “Powerslave”. Depois disso, foi a vez do Mineirinho vir abaixo com “Run To The Hills” (com o público inteiro berrando o refrão, coisa linda), e a sempre funcional ao vivo “Fear Of The Dark”. Por mais que possamos estranhar a inclusão de “Fear Of The Dark” no set (já que em principio, o repertório da turnê era pra ser até o Seventh Son Of A Seventh Son), a inclusão desta é obrigatória em qualquer show que o Iron Maiden faça, já que é o momento de maior interação entre banda e público. “Hallowed Be Thy Name” e “Iron Maiden” (essa com direito a entrada do Eddie) fecham a primeira parte do show. Aí, depois de um intervalo curto, a banda volta para a parte final do show, com “The Number Of The Beast”, “The Evil That Men Do” e “Sanctuary”.

No meio de “Sanctuary”, o vocalista Bruce Dickinson agradece ao publico e promete nova turnê brasileira em 2011 (já com um novo disco na praça). Se Belo Horizonte estará na rota? Duvido muito. Quem viu a Donzela dessa vez na capital mineira, pode se considerar um privilegiado por ter presenciado a provável única visita da maior instituição do heavy metal a BH. Grande show de uma banda que sobrevive durante décadas, sempre na ativa, sempre liderando o cenário e que é exemplo pra quem quer que seja que se interesse por música pesada. E claro, Steve Harris é a personificação do que entendemos por heavy metal.


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