Entrevista: Glitter Magic

Por Pam Berzoini | Publicado em 24/09/2008

No próximo dia 24 de Outubro 5 grandes bandas de Hard Rock do Brasil estarão juntas no HardZone Festival 2, em Belo Horizonte. Até lá, a seção entrevistas do site traz um pouco da história de cada uma.

Para começar, confira um bate papo com Rhee, vocalista da Glitter Magic, de Juiz de Fora, em uma entrevista descontraída, com muito rock and roll e novidades para os fãs.





A banda foi criada de brincadeira para uma festa. Como foi essa decisão de continuar e tornar a Glitter uma banda profissional?

Rhee: Minha intenção sempre foi ter uma banda séria, mas até então o universo não tinha conspirado a favor de meus planos. Quando percebi que a banda tinha potencial para continuar, depois de um show que fizemos em Juiz de Fora (o primeiro que foi aberto ao público), vimos uma receptividade muito grande das pessoas com a banda. Algo que não havíamos sentido até então, por só termos tocado em apresentação particulares para amigos. A partir disso, tivemos a oportunidade de tocar em um evento de maior porte e com oportunidade de visualização por produtores. Isso nos levou a fazer uma música (Snake’s Blood) e executá-la neste show. Novamente a resposta foi tão boa que resolvemos seguir com o projeto em frente e ganhar nosso espaço.

Quais são as influências da banda?

Rhee: Cada um trás uma influência diferente, mas a soma delas todas, dá uma cara muito diferente ao nosso som próprio. Curto muito hard 80, tipo FireHouse, Bon Jovi, Guns n’ Roses, Skid Row. Hard N’ Heavy no estilo Pink Cream 69, Talisman. Gosto muito de Heavy Metal, como Iron Maiden e Helloween e Metalcore como Avenged Sevenfold, Killswitch Engage. Não posso esquecer do Thrash; Megadeth, Pantera, Metallica e Anthrax. O Mauri gosta de Megadeth, Buckcherry, Black Sabbath, Pantera, HCSS. O Luc se amarra em HCSS, CrashDïet, Wig Wam, Mr. Big, Crazy Lixx, Extreme, Bon Jovi. O Glux ouve Danger Danger, Nevermore, Mutantes e muito blues. Já o Gee Fire House, Bon Jovi, Avenged Sevenfold. Acho que isso tudo no liquidificador, com muita cerveja, define nossas influências. Rs

É bom citar que as novas bandas de Hard Rock da escandinávia estão cativando meu coração ultimamente. Bandas como Hardcore Superstar, Crash Dïet, Crucified Barbara, Hell N’ Diesel da suécia e Wig Wam da Noruega, são as que mais escuto ultimamente. Quando sair nosso debut, vai dar pra sacar isso tudo mesclado nas músicas.

Nas músicas, as inspirações surgem também de bandas que não são do meio Hard Rocker? Quais?

Rhee: Sim, claro. Como disse anteriormente, temos influências de Megadeth, Avenged Sevenfold, de bandas de Rock and Roll, como AC/DC, e porque não dizer, no meu caso, até de Rock Nacional. Há coisas boas que dá pra se tirar alguma influência sim.

Qual o direcionamento das letras de suas composições? Quem costuma compor?

Rhee: No nosso 1º álbum, a maioria das composições são feitas em parceria. Na maioria das vezes, eu faço as letras, mas podemos encontrar letras do Henry (antigo baixista) em algumas músicas e parcerias comigo também. Elas tratam dos mais diversos assuntos. Coisas do coração, críticas à postura das pessoas em relação às outras, das noites de quem curte viver no bom e velho estilo rock’n’roll, mas de uma forma bem subjetiva. Costumo dizer que minhas letras sempre falam de coisas que eu quero dizer, mas às vezes não tenho coragem, então digo isso de forma artística, nas músicas. Mas elas deixam um recado bem dado. É só prestar bastante atenção.

A Glitter passou por algumas transformações, como as mudanças de integrantes, sendo que hoje, são só 3 da formação original. Como vocês analisariam a banda hoje com essa galera que entrou?

Rhee: Todo mundo que esteve na banda deu uma contribuição muito importante. A banda chegou até aqui, graças à essas pessoas estarem conosco àquela época. Essa galera de agora tem uma vontade maior de ver o barco correr. Estão dispostos a largar tudo e seguir com a gente se uma coisa maior aparecer. O gás que eles imprimem na banda é muito diferente. O Gee (baterista) tem uma vantagem fantástica, de ser um Músico com “M” maiúsculo. Multi-instrumentista e além de ter uma voz fantástica. Ele compõe muito bem e tem um bom gosto muito apurado. O Glux (baixista) é um cara jovem, cheio de vontade e energia. Tem talento, garra e quer crescer junto com a banda. Isso realmente importa. E é nisso que nós estamos colocando todas nossas fichas.

Em 2006 vocês participaram de um renomado festival de Juiz de Fora, o “Festival de Bandas Novas” e ficaram entre as melhores bandas, além de um dos guitarristas, o Mauri, sendo classificado o melhor guitarrista. O que isso representou para vocês?

Rhee: De fato, ter participado do Festival de Bandas novas, serviu para sermos vistos pelo público de JF e da galera de fora que participa do festival. Este evento é uma ótima opção pra quem não tem muito espaço e quer tocar pra muita gente. Mas no frigir dos ovos, o Bandas Novas foi uma vitrine muito boa pra nos mostrarmos pra quem ainda não conhecia a banda em JF e praquelas pessoas que não curtem nosso estilo, poderem apreciar sem precisar ir em um show de hard.

O que vocês acham da cena Hard em Minas Gerais? E no Brasil? O que poderia ser mudado?

Rhee: Eu acho que é muito cedo pra afirmar alguma coisa, mas com o movimento que temos visto nos shows que fazemos e com essa volta com o turbo ligado que o Hard Rock está tendo, dá pra dizer que a coisa está começando a pegar fogo. Acredito que em muito pouco tempo você vai ver o Hard Rock, não só em Minas, como em todo Brasil, estourar. Não digo que será como nos anos 80, até porque o mercado fonográfico está muito disputado e o nosso país não tem um histórico muito forte em gostar de Rock propriamente dito. Acho que isso tudo é uma questão cultural, e o Brasil, musicalmente, tem uma cultura muito forte.
As músicas regionais são difundidas rapidamente pela televisão e rádio. Isso fez com que o Axé, o Sertanejo, o Pagode e o Funk se proliferassem rapidamente pelo país, deixando o Rock no underground. Criou-se um mito que Rock é coisa de gente maluca, que não tem responsabilidade, sendo que o que a gente vê na realidade é que muitas pessoas que curtem Rock são pessoas de nível cultural elevado, de cargos importantes na política, na justiça, no esporte e em outros nichos da sociedade. O que deveria ser feito, é incentivar às pessoas a conhecerem arte, a tocar algum instrumento desde criança, criar um contato com a música. Isso desenvolveria um feeling maior e também um maior conhecimento, o que dissipa qualquer tipo de preconceito. Muitas pessoas dizem que odeiam Rock, mas, na verdade, não têm sequer conhecimento de causa para tal afirmação, pois não sabem sequer assoviar uma melodia do estilo. As pessoas que viveram nos anos 80, viram e ouviram o Hard Rock tocar incessantemente nas rádios, clips na MTV e tudo o mais. Acho que isso poderia também, associado com o que eu disse anteriormente, mudar a concepção que as pessoas têm a respeito do assunto. Ah! Adorei também a idéia que algum iluminado da Som Livre teve de fazer as coletâneas Lovy Metal e Classic Rock. Isso também ajudou muito o movimento Hard no Brasil voltar. Porque eles não fazem mais umas coletâneas dessas? Podem colocar Glitter Magic dessa vez. (Rs)

O visual conta muito na apresentação de vocês. Isso, além da qualidade musical, é fundamental para a banda?

Rhee: Penso que o visual é 50% de todo artista. As pessoas se identificam sempre com alguma coisa no seu jeito de se vestir, falar e se comportar. O grande lance é que uma banda não se afirma sendo só 50%. Uma banda tem que ser tudo, 100%. O visual aliado à qualidade musical e uma boa dose de bom humor e músicas “pra cima” fez com que o Hard fosse o que foi. Acho que a fórmula não se perdeu no tempo. Se você procurar pelo MySpace, você verá que as bandas estão apostando pesado nisso e nós não podemos ficar de fora. Esse chavão que criaram que “Imagem não é nada, sede é tudo” não funciona de jeito nenhum. A coca-cola que o diga.

Definam a Glitter em uma palavra.

Rhee: Energia.

O que é essencial para uma banda de hard?

Rhee: Músicas grudentas, baladas de fazerem apaixonar, letras bem sensuais, um visual bem Bad Boy e de preferência, os membros da banda não serem muito feios (rs). E se forem, caprichem na maquiagem.

Em 2008, vocês estão com previsão de lançar um debut, com 10 faixas. O que poderemos esperar da Glitter? Quais as expectativas?

Rhee: Como eu disse anteriormente, podem esperar uma mescla muito interessante de influências, o que não vai descaracterizar o estilo da banda. Somos Hard Rock e é isso que nós vamos fazer, só que uma maneira mais moderna. Isso nos dá uma esperança muito grande que nossas músicas vão bater como um martelo na cabeça e uma pena no coração. O negócio é correr atrás de caprichar nas gravações e dar o máximo nos shows e na divulgação do CD. O resto é esperar que o universo HARD conspire a favor de nós.

Que banda no estilo que vocês queriam assistir um show ou tocar junto?

Rhee: Nossa, será que cabem todas aqui? (Rs) Assisti a um show do FireHouse e um do Aerosmith. Seria muito bom tocar ao lado deles. Gostaria também que essas bandas da Escandinávia viessem tocar no Brasil e nos chamassem para abrir seus shows. Seria muito legal, porque as pessoas que curtem esse estilo aqui no país estão cada vez mais conhecendo e curtindo estas bandas e de quebra, conheceriam a Glitter também. Sucesso garantido!


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