Show - Megadeth - BH

Por Rodrigo Gomes | Publicado em 09/06/2008

Tinha tudo pra ser histórico, mas não foi. A expectativa era enorme pelo show do Megadeth - uma das maiores bandas de heavy metal da história – depois de onze anos de ausência da capital mineira, mas infelizmente a coisa não aconteceu do jeito que deveria ter sido.



Um publico até bom compareceu ao Chevrolet Hall, apesar dos ingressos a preços europeus (coisa que está virando rotina), e presenciou um mal humorado Dave Mustaine (novidade...) levar o show do seu Megadeth a banho-maria, tipo assim, pra cumprir um contrato mesmo, passar a sacolinha nos índios aqui e voltar um pouco mais rico pro seu amado e adorado EUA.

É incompreensível que uma banda de tal porte, que lançou discos fabulosos e criou hinos do heavy metal faça o que fez em Belo Horizonte. O show começou com a nova “Sleepwalker”, emendada com a fodástica “Wake Up Dead”, e claro, a galera foi ao delírio. Como foi ao delírio também em “Take No Prisioners” e “Skin O´ My Teeth”. Ou seja, seqüencia matadora e publico se matando de tanta empolgação.

Com evidentes problemas no som, Dave Mustaine pede um tempo pro público a fim de tentar consertar o estrago, coisa que ele já tinha feito em São Paulo também. Aí que fica uma pergunta: como uma banda do porte do Megadeth tem esse tipo de problema sistematicamente? Sim, porque se fosse alguma coisa isolada, vá lá, mas isso já tinha acontecido nessa turnê brasileira, e nem por isso o problema foi sanado como deveria. Mas, ainda assim, vamos dar um desconto, o cara pediu desculpas, se retirou por alguns minutos pra que se melhorasse o som, e voltou.

Aí poderíamos pensar: “beleza, agora vai”. Que nada. Praticamente sem qualquer diferença ao que já estava acontecendo nas quatro primeiras musicas, volta lá o Megadeth com “Washington Is Next!” e foi nítido o banho de água gelada que o publico levou. Simplesmente a platéia parou de responder com a mesma empolgação das primeiras musicas do show. Evidente que vários outros clássicos disseram presente (já que repertorio bom é o que nunca faltará para o Megadeth), e não há o que se reclamar quando se tem no set musicas como “Tornado Of Souls”, “A Tout Le Monde”, “In My Darkest Hour”, “Hangar 18”, “Symphony Of Destruction”, “Peace Sells” e “Holy Wars”.

Aí muitos podem perguntar: como um show com musicas desse quilate foi ruim? Mas não foi ruim, mesmo porque se essas músicas fossem tocadas até com um som mecânico em qualquer lugar seria bom do mesmo jeito, já que não se discute a qualidade dos clássicos supracitados. Mas tudo vai por água abaixo quando se nota a má vontade do líder da banda, com sua cara de “o-que-que-eu-estou-fazendo-aqui-pelo-amor-de-Deus”. Esse cara, apesar de ser um gênio do metal, é simplesmente um porre, uma mala sem alça, e claro, um tremendo de um anti-profissional. Ou é profissional um cara (sempre falo “um cara” e não “uma banda” porque é mais que óbvio que o Megadeth hoje é um projeto solo do Dave Mustaine) que decide a bel prazer cortar várias musicas de um show sabe-se lá o por quê? E seus fãs que ficaram mais de uma década sem terem visto sua banda (fora os que efetivamente nunca tinham visto) e pagaram preços exorbitantes para receberam em troca cerca de apenas uma hora de show e várias toneladas do mau humor característico do Mustaine? Como ficam? Não ficam, né.

Nesse ponto, não dá pra comparar o Megadeth com o Slayer, por exemplo, que veio aqui e fez o Inferno subir á Terra, correspondendo 100% ás expectativas de seus fãs. E pensar que menos de um mês antes, uma banda ultra profissional como o Queensrÿche fez um show maravilhoso com mais de duas horas de duração e muita empolgação de seus integrantes mesmo com as poucas testemunhas que disseram presente no dia. Mas quem disse que a vida é justa?

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