Show - Hard in Rio II - Rio de Janeiro

Por Rodrigo Gomes | Publicado em 27/04/2008

Se o cast do primeiro Hard In Rio já tinha sido pra lá de interessante (Firehouse e Ted Poley, além da local M.A.S.T.E.R.S.), imaginem então o da segunda edição do festival? House Of Lords, Tyketto e White Lion!!! Quando alguém poderia imaginar que um festival como esse poderia acontecer no Brasil? Nunca, sinceramente. Como este que vos tecla ficou muito chateado por não conseguir ir ao primeiro, me prometi que faria qualquer sacrifício pra ir ao segundo.



E como esta Hardzone foi criada pra facilitar a vida de quem gosta desse maravilhoso gênero musical que atende pelo nome de hard rock, foi criada uma excpedição de BH para o Rio de Janeiro para um final de semana de calor extremo e musica nem tanto. Depois de uma noite de sexta feira mal dormida e de um dia de sábado pra lá de cansativo, o boêmio bairro da Lapa era o destino, mais precisamente o lendário Circo Voador.

Pra inicio de conversa, o Circo Voador é um lugar bem menor que eu imaginava, mas é ideal pra shows underground, por causa da excelente estrutura. Quando entrei no recinto, o House Of Lords tinha acabado de começar a tocar, e foi a grande surpresa do festival pra mim. Não conhecia muito a banda e o pouco que conhecia não era suficiente pra me causar, assim, nenhuma comoção.

Mas que show amigos, que show! Os músicos pareciam se divertir mais até que a platéia, tocaram com uma garra contagiante e não foi difícil se render ao som do grupo. Apenas um porém nesse show: os intragáveis solos! E agora, não contentes em encher o saco alheio com um solo de bateria, dessa vez teve um de guitarra também. Socorro! Coisa chata pra porra, quando vão descobrir de lançar mão desse tipo de expediente só irrita a grande maioria que está na platéia?

Logo depois era hora do grande show da noite, Tyketto!!! Que show, que show! Saca aquele show perfeito que a gente vê apenas de tempos em tempos? Pois é, foi o caso. Dias antes do show eu cheguei a ler uma noticia dando conta que o Tyketto iria tocar seu disco de estréia, Don´t Come Easy na integra. E isso aconteceu mesmo, mas não do jeito que muitas bandas fazem, tocando o disco na seqüencia. O Tyketto optou por mesclar as músicas, mas sempre baseando o set nos dois primeiros discos (exceção de “Till The Summer Comes” do The Last Sunset). E caralho, set list perfeito, “Nothing But Love”, “Wings” (puta que o pariu, Wings! Cantar o refrão dessa música a plenos pulmões definitivamente é uma coisa que não tem preço), “Burning Down Inside”, “Standing Alone”, “Meet Me In The Night” e várias outras, só hino, um atrás do outro, até culminar com o grand finale “Forever Young”, um momento mágico. Aliás, várias bandas por aí deveriam aprender com o Tyketto como se montar um set list, já que ultimamente muitas bandas tem cagado na hora de selecionar o dito cujo. Ah, e ainda por cima, o show teve um outro grande mérito: não teve solos! Sensacional isso nos tempos modernos.

Passado o Tyketto, era hora de esperar um ícone do hard rock norte americano: White Lion! Muita expectativa, e o show começa com “Hungry”, um clássico logo de cara. Já na primeira música deu pra notar que os ânimos estavam exaltados na banda, pois tanto o baixista quanto o baterista não sabiam se tocavam ou se xingavam os roadies ou técnicos, sei lá. O pessoal da retaguarda, enfim. Dava pra notar claramente os caras se dividindo entre tocar e dar esporro. O set list foi perfeito, já que tocaram todas as músicas “obrigatórias”: “Hungry”, “Little Fighter” (foda demais essa), “Love Don´t Come Easy”, “When The Children Cry”, “Broken Heart”, “Tell Me”, etc. Só que o show me decepcionou um pouco, e por vários motivos, que tentarei elencar aqui. Primeiro, o já citado clima ruim que estava no palco. Segundo, a voz do Mike Tramp ao vivo é bem diferente que em disco, não sei se pra pior (já que não entendo do assunto tecnicamente falando pra emitir um parecer), mas sem dúvida, eu prefiro a “outra” voz, a dos discos. Terceiro, deu uma esvaziada boa na hora do White Lion, ou porque o pessoal estava lá mais pra ver o Tyketto ou pelo adiantado da hora (o show começou as 3h30 da manhã), não sei.

Num hipotético balanço final do evento, digo que o House Of Lords foi surpreendentemente bom, o Tyketto não foi nada surpreendente, já que eu esperava um show perfeito e ele realmente ocorreu, e o White Lion foi um pequena decepção. Já o grande lado negativo da noite foi a presença de publico, ou a não-presença pra ser mais exato. Apenas cerca de 500 pessoas pagaram pra assistir ao evento, o que é um número desprezível quando se constata a relevância das três bandas. Infelizmente isso acaba por comprometer futuras edições do festival. Aliás, segundo o que postou um dos organizadores na comunidade oficial do evento no Orkut, o próximo Hard In Rio “subiu no telhado”. Só nos resta torcer pra que tudo dê certo e que essa terceira edição do Hard In Rio venha a ser realizada, dessa vez com mais publico.

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