CD - Motley Crue - Generation Swine - 1997

Por Rodrigo Gomes | Publicado em 01/06/2008

Motley Crue - Generation Swine - 1997
Elektra / Wea

1. Find Myself
2. Afraid
3. Flush
4. Generation Swine
5. Confessions
6. Beauty
7. Glitter
8. Anybody Out There
9. Let Us Prey
10. Rocketship
11. Rat Like Me
12. Shout At The Devil '97
13. Brandon



Pra falar desse disco, temos que voltar um pouco no tempo e contextualizar a situação que a banda – e o estilo como um todo – passava na época.

No inicio dos anos 90, o Motley Crue também não escapou da derrocada de popularidade que acometeu 99% das bandas de hard rock, o que resultou na perda mais que significativa de seu carismático e lendário frontman Vince Neil. O jeito foi a banda tentar arrumar um novo vocalista, e acharam em John Corabi (ex-Scream) o substituto ideal para o Vince.

O problema é que a maré não estava pra peixe mesmo e embora lançando um disco maravilhoso, a nova formação não durou, pois comercialmente falando a nova encarnação da banda foi um fracasso. O disco não vendeu quase nada, vários shows foram cancelados por falta de publico, etc. Como sair dessa situação? Chamando o velho vocalista e anunciando uma volta “bombástica”, é claro.

E foi o que aconteceu. Só que em 1997 o hard rock ainda não estava em seus melhores dias e o Motley Crue “espertamente” colocou em seu novo disco vários elementos da praga em voga na época, a famigerada música eletrônica. Essa mistura desagradou muita gente e teria até me desagrado também se não fosse um detalhe: a banda soube usar com parcimônia essa nova influência. E disso surgiu um dos melhores – e o mais injustiçado – disco da banda californiana, o Generation Swine!

E o disco começa muito bem com “Find Myself”, música porrada e letra sensacional, e como curiosidade conta com uma participação do filho do Nikki Sixx no final da música, berrando a palavra destroy. “Afraid” foi o primeiro single e talvez seja a que mais se aproxima da fase oitentista do Motley Crue. Ah, e essa música ganhou um clip sensacional, estrelado pelo guru da pornografia, Larry Flint.

Depois da pop “Flush”, vem a faixa titulo “Generation Swine”, que mostra claramente o grande mérito do disco, que é a mistura de várias influências, com a banda evitando a mesmice e sem que pra isso soe chata e/ou presunçosa. Ou seja, nada de complicar, a música continua básica e até certo ponto simples, mas criativa.

Outra prova da versatilidade do disco vem a seguir, com a densa “Confessions”. Lembram-se daquele lendário episódio em que a prostituta Divine Brown colocou a boca aonde não devia no ator Hugh Grant, o que acabou levando o famoso ator ao xilindró por atentado ao pudor? Pois bem, o Motley Crue resolveu satirizar o caso na música “Beauty”, que nem preciso dizer, se tornou um dos pontos altos do álbum. Vale lembrar que nessa musica o Tommy Lee divide os vocais com o Vince Neil. “Anybody Out There” e “Let Us Prey” representam o lado mais pesado do disco, e inclusive essa ultima (ao lado de “Flush”) foi co-escrita pelo ex-vocalista John Corabi, que alegou ter composto boa parte do disco, não sendo creditado por isso. Obviamente ele levou a banda no pau a fim de ser ressarcido por sua – suposta - contribuição. Já para um lado mais suave, temos a balada “Glitter”, que poderia ter a letra assinada pelo ícone brega Wando, e “Rocketship” cantada pelo baixista Nikki Sixx.

A boa “A Rat Like Me” abre caminho para a polêmica regravação de “Shout At The Devil”, que muitos torceram o nariz, mas que passou longe de assassinar a original. Tudo bem que regravar algum clássico é sempre mexer em um vespeiro e risco de sair tudo errado é enorme, ainda mais nesse caso do Motley Crue, flertando tão “perigosamente” com estilos nada comuns á banda até aquela época.

A meiga “Brandon” fecha o disco com chave de ouro, sendo que essa musica foi composta e cantada pelo Tommy Lee, em uma homenagem ao pimpolho que ele e a loiraça belzebu Pamela Anderson tinham acabado de ter. Afinal, entre uma briga e outra, o casal arrumou tempo de fazer vídeos pornôs caseiros e também um filho.

Contrariando grande parte dos fãs do Motley, que tem no “Generation Swine” um item menor na brilhante discografia dos americanos, ouso dizer que este é um clássico da banda, que conseguiu misturar o hard rock costumeiro feito pela banda com novas influências, sem contudo descaracterizar seu som. Infelizmente nem a qualidade do disco conseguiu fazer com que o objetivo da banda fosse alcançado, que era a volta ao topo, o que a banda só foi conseguir anos depois.

boomp3.com


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