Pra falar desse disco, temos que voltar um pouco no tempo e contextualizar a situação que a banda – e o estilo como um todo – passava na época.
No inicio dos anos 90, o Motley Crue também não escapou da derrocada de popularidade que acometeu 99% das bandas de hard rock, o que resultou na perda mais que significativa de seu carismático e lendário frontman Vince Neil. O jeito foi a banda tentar arrumar um novo vocalista, e acharam em John Corabi (ex-Scream) o substituto ideal para o Vince.
O problema é que a maré não estava pra peixe mesmo e embora lançando um disco maravilhoso, a nova formação não durou, pois comercialmente falando a nova encarnação da banda foi um fracasso. O disco não vendeu quase nada, vários shows foram cancelados por falta de publico, etc. Como sair dessa situação? Chamando o velho vocalista e anunciando uma volta “bombástica”, é claro.
E foi o que aconteceu. Só que em 1997 o hard rock ainda não estava em seus melhores dias e o Motley Crue “espertamente” colocou em seu novo disco vários elementos da praga em voga na época, a famigerada música eletrônica. Essa mistura desagradou muita gente e teria até me desagrado também se não fosse um detalhe: a banda soube usar com parcimônia essa nova influência. E disso surgiu um dos melhores – e o mais injustiçado – disco da banda californiana, o Generation Swine!
E o disco começa muito bem com “Find Myself”, música porrada e letra sensacional, e como curiosidade conta com uma participação do filho do Nikki Sixx no final da música, berrando a palavra destroy. “Afraid” foi o primeiro single e talvez seja a que mais se aproxima da fase oitentista do Motley Crue. Ah, e essa música ganhou um clip sensacional, estrelado pelo guru da pornografia, Larry Flint.
Depois da pop “Flush”, vem a faixa titulo “Generation Swine”, que mostra claramente o grande mérito do disco, que é a mistura de várias influências, com a banda evitando a mesmice e sem que pra isso soe chata e/ou presunçosa. Ou seja, nada de complicar, a música continua básica e até certo ponto simples, mas criativa.
Outra prova da versatilidade do disco vem a seguir, com a densa “Confessions”. Lembram-se daquele lendário episódio em que a prostituta Divine Brown colocou a boca aonde não devia no ator Hugh Grant, o que acabou levando o famoso ator ao xilindró por atentado ao pudor? Pois bem, o Motley Crue resolveu satirizar o caso na música “Beauty”, que nem preciso dizer, se tornou um dos pontos altos do álbum. Vale lembrar que nessa musica o Tommy Lee divide os vocais com o Vince Neil. “Anybody Out There” e “Let Us Prey” representam o lado mais pesado do disco, e inclusive essa ultima (ao lado de “Flush”) foi co-escrita pelo ex-vocalista John Corabi, que alegou ter composto boa parte do disco, não sendo creditado por isso. Obviamente ele levou a banda no pau a fim de ser ressarcido por sua – suposta - contribuição. Já para um lado mais suave, temos a balada “Glitter”, que poderia ter a letra assinada pelo ícone brega Wando, e “Rocketship” cantada pelo baixista Nikki Sixx.
A boa “A Rat Like Me” abre caminho para a polêmica regravação de “Shout At The Devil”, que muitos torceram o nariz, mas que passou longe de assassinar a original. Tudo bem que regravar algum clássico é sempre mexer em um vespeiro e risco de sair tudo errado é enorme, ainda mais nesse caso do Motley Crue, flertando tão “perigosamente” com estilos nada comuns á banda até aquela época.
A meiga “Brandon” fecha o disco com chave de ouro, sendo que essa musica foi composta e cantada pelo Tommy Lee, em uma homenagem ao pimpolho que ele e a loiraça belzebu Pamela Anderson tinham acabado de ter. Afinal, entre uma briga e outra, o casal arrumou tempo de fazer vídeos pornôs caseiros e também um filho.
Contrariando grande parte dos fãs do Motley, que tem no “Generation Swine” um item menor na brilhante discografia dos americanos, ouso dizer que este é um clássico da banda, que conseguiu misturar o hard rock costumeiro feito pela banda com novas influências, sem contudo descaracterizar seu som. Infelizmente nem a qualidade do disco conseguiu fazer com que o objetivo da banda fosse alcançado, que era a volta ao topo, o que a banda só foi conseguir anos depois.
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