Show - Queensrÿche - BH

Por Rodrigo Gomes | Publicado em 10/05/2008

Uma noite memorável pra meia dúzia de gatos pingados, assim pode ser definido o show do Queensrÿche no Chevrolet Hall no dia 10/05/08.



Qual o motivo de tão pouca gente comparecer pra ver uma das mais importantes bandas de heavy metal dos anos 80, que lançou clássicos como “Operation Mindcrime” e “Empire”? Muita gente apela pra argumentos tipo “ah, se fosse uma banda dessas que a geração metal danoninho gosta, tipo Angra ou Nightwish, lotaria”, mas eu não sigo esse tipo de pensamento, mesmo porque esse tipo de banda sempre terá que existir pra iniciar a molecada, e justiça seja feita, são bandas importantes e excelentes (minha opinião).

Eu vou mais para um outro lado, uma constatação que é mais do que evidente: o público que BH adora reivindicar que mais bandas venham pra cá, reclamam muito por isso, mas não dão a contra partida, e na hora que começa a vir show bom atrás de show bom, não comparecem. Aí sobram as desculpas. É grana, é dia da semana, é a prova que tem no dia, é o papagaio que adoeceu, etc.

Tudo bem que essa desfeita ao Queenrÿche não aconteceu apenas em BH, já que em Curitiba e no Rio de Janeiro também tivemos números igualmente ultrajantes. Mas enfim, azar supremo de quem perdeu o show, porque foi histórico.

O Queensrÿche já tinha tocado aqui em 1997, em um festival com Megadeth e Whitesnake (aliás, coincidência essas mesmas três bandas tocarem de novo aqui em BH na mesma época), mas obviamente por se tratar de um festival, tiveram um tempo curto pra se apresentar. Agora não, foi bem diferente. Mesmo com uma quantidade de publico vergonhosa (cerca de 400 pessoas num lugar que cabem 5.500, daí dá pra tirar uma conclusão de como estava constrangedor...), o Queensrÿche mostrou todo o profissionalismo que qualquer banda que se preze tem que ter, tocando ali pouco se importando com a quantidade de gente.

Duas horas, direto, sem solos, sem enrolações, sem qualquer tipo de subterfúgio pra esconder qualquer limitação de qualquer integrante. A turnê no Brasil foi intitulada “Hits And Rarities” e eles obviamente rechearam o set list com músicas que se tornaram clássicas em sua carreira com algumas mais obscuras (tai a razão do título... descobri a pólvora agora, fala a verdade).

A primeira parte do show foi composta mais por músicas não tão “lado A” da carreira do Queensrÿche, mas você vê que uma banda é fodástica nessas horas, quanto começam a enfileirar muitas músicas que você não conhece, mas mesmo assim fica boquiaberto e não vê os minutos passarem. Dessa, digamos assim, primeira parte do show, foram tocadas músicas como “The Whisper”, “Screaming In Digital”, “Bridge” (maravilhosa, lembrou os bons tempos da 107FM...), entre outras.

Mas foi do meio pro final que o bicho pegou, e aí não tem jeito, vou ter que citar TODAS, espiem só: “Another Rainy Night” (putz...), “Gonna Get Close to You”, “Neon Knights” (sim, cover de quem vocês estão pensando mesmo, de deixar o baixinho orgulhoso), “Last Time in Paris”, “Breaking the Silence” (foda), “Anybody Listening” (de emocionar), “Jet City Woman” (perfeita), “Eyes of a Stranger”, “Best I Can” (que isso...), “The Lady Whore Black”, “Empire” (uma das mais conhecidas, e que ao vivo fica mais matadora ainda), “Take Hold of the Flame” (totalmente anos 80), “Silent Lucidity” (pra fechar com chave de ouro.
Não é muito usual uma banda de rock fechar um show com uma balada, mas essa é A BALADA).

Duas horas de um show magnífico, que pareceu durar apenas dois minutos, tão intenso que foi. E um capitulo a parte na historia do rock deve ser dado a Geoff Tate. Puta que pariu, vai cantar bem assim lá na tonga da mironga do cabuletê! E olha que ele veio aqui apenas quatro dias após David Coverdale! Mesmo com uma comparação aparentemente tão desfavorável, não há o que discutir, deve ter sido a melhor performance de um vocalista que eu já vi na vida. Simplesmente perfeito (e o visual é aquele mesmo de 1997, todo engomado, parecia que o gajo tinha acabado de sair de uma reunião de negócios. É o Vanderlei Luxemburgo do heavy metal, definitivamente).

Se faltou alguma música? Claro. Vamos lá, quem me dera ouvir “I Don´t Believe In Love”, “Sign Of The Times” (da fase mais experimental do Queensrÿche, mas eu amo essa musica), “Walk In The Shadows” (sim, um dos maiores clássicos não foi tocado). “Revolution Calling”, entre muitas outras. Mas não dá pra colocar nenhum porém nesse show, se faltaram algumas músicas, sobrou um show soberbo, maravilhoso, espetacular, e que, como tudo na vida que é acima da média, parece ser condenado a ser apreciado por poucos.

Pra encerrar, só vale o registro da abertura do show, que ficou a cargo do Hangar. Cheguei na penúltima musica (cover de “Perfect Strangers” do Deep Purple), de modo que não dá mesmo pra fazer qualquer tipo de avaliação da banda, apesar que o ultimo disco deles, tão incensado pela rock press nacional, não me desceu mesmo. Mas aí já é questão de gosto!


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